A agricultura sustentável funciona! (Parte 2 de 3)
Swati Renduchintala – Foto: Goetheanum_Xue Li
Índia: unindo saberes antigos a novos conhecimentos
Este é o segundo texto da série sobre a Landwirtschaftliche Tagung 2025 (Congresso de Agricultura 2025), realizada no Goetheanum, em Dornach, na Suíça. Na primeira parte, contamos a história da iniciativa egípcia «Economy of Love». Agora seguimos para a Índia, onde uma cientista defende que a verdadeira força da agricultura está debaixo dos nossos pés.
Swati Renduchintala, da World Agroforestry, representa hoje um milhão de agricultoras e agricultores indianos. Para ela, regenerar a terra significa, antes de tudo, devolver aos micro-organismos do solo o protagonismo que a agricultura industrial lhes tirou nas últimas décadas — como reaprender uma língua materna que caiu em desuso.
Swati Renduchintala, cientista da World Agroforestry e representante do movimento ecológico indiano, começa com uma afirmação marcante: «Eu represento um milhão de agricultoras e agricultores do meu país.» Seu objetivo é regenerar a terra fazendo com que a agricultura imite a natureza. Ela explica que não são as pessoas, mas os micro-organismos, que realizam o verdadeiro trabalho no solo. A atividade microbiana seria essencial para a fertilidade da terra, mas, desde os anos 1960, esse conhecimento teria se perdido com a agricultura industrial e o uso de produtos químicos e agrotóxicos. Por isso, seria necessário agora resgatar esse «saber antigo» e uni-lo a novos conhecimentos científicos.
Swati Renduchintala defende a necessidade de comprovação científica para o sucesso da agricultura ecológica, já que universidades e a indústria agrícola teriam trabalhado, por muito tempo, contra essa abordagem. A transformação exigiria não apenas capacitações de curto prazo, mas uma espécie de programa de desintoxicação — o desapego à crença tecnológica na «Revolução Verde». Converter propriedades agrícolas e mudar a consciência da população exigiria um acompanhamento de longo prazo por pessoas que tenham não só conhecimento teórico, mas também experiência prática com a agricultura natural.
Sua experiência mostra que, com frequência, são as pequenas agricultoras que impulsionam a mudança. Até o momento, um milhão de pequenas agricultoras e agricultores aderiram ao seu programa de conversão, mas o potencial é ainda muito maior — somente no estado de Andhra Pradesh há 60 milhões de pequenos agricultores e agricultoras.
«Trata-se de reanimar a terra, de regenerá-la. Agricultura natural significa ‹imitar› a natureza.»
— Swati Renduchintala, Índia
Relato baseado na Landwirtschaftliche Tagung 2025, promovida pela Sektion für Landwirtschaft am Goetheanum, Dornach, Suíça.
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